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David Almeida gastou R$ 360 mil sem licitação para compra de medicamentos sem eficácia comprovada no tratamento de Covid

EDMAR BARROS/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO


A gestão de David Almeida (Avante) voltou a usar o decreto de calamidade pública para realizar mais compras questionáveis sem licitação. Desta vez, a Prefeitura de Manaus pagou R$ 360 mil para adquirir os remédios dexametasona e ivermectina para o tratamento contra a covid-19. Este último, segundo especialistas, não tem eficácia comprovada contra a doença.

A empresa contratada, de forma direta, para fornecer os remédios à pasta é a Decares Comércio Ltda, localizada na capital amazonense. 

A autorização da compra foi assinada pelo subsecretário municipal de Administração e Planejamento, Nagib Salem José Neto, conforme mostra portaria publicada no Diário Oficial do Município (DOM).

“Considerando a justificativa de emergência para aquisição de medicamentos, em caráter emergencial, destinados a atender as necessidades das Unidades de Saúde da Semsa (Secretaria Municipal de Saúde), em razão do combate à Covid-19”, diz Nagib Salem.

Os remédios fazem parte do chamado ‘Kit Covid’, que inclui a hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina e vitaminas no tratamento de pacientes infectados pelo novo coronavírus. O tratamento é defendido pelo prefeito David Almeida, que declarou ter feito uso de algumas dessas medicações, no início dos primeiros sintomas da doença, quando foi contaminado em setembro do ano passado.

No entanto, o médico infectologista Maurício Borborema, da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMTAM), destacou que já existem estudos sólidos com fortes evidências da total ineficácia dessas substâncias na prevenção ou tratamento precoce contra a covid.

“Por isso que não se usa esses medicamentos em países desenvolvidos. É uma tolice que tem perpetuado aqui no Amazonas e não tem sentido nenhum. Quando se usa remédio sem evidência de cura, podemos colocar em risco a vida das pessoas”, disse Borborema.

Sobre o uso do remédio ivermectina em pacientes acometidos pela covid, o especialista alerta sobre os grandes perigos à saúde dos doentes. O medicamento é usado para tratar doenças com parasitas, como piolho e lombriga. 

“Nós fizemos estudos que mostram a prevalência da chamada mansonelose – que é um tipo de infecção que não causa exatamente uma doença, por ser benigna, mas aparece no sangue como microfilária sendo comum em populações ribeirinhas. Aqui no Amazonas, muitas pessoas em idade avançada são portadoras dela e quando se dá a ivermectina pode acontecer uma reação grave com inflamação no nervo óptico com risco de cegueira.”

O médico comenta, ainda, que a administração pública deveria direcionar recursos a medidas que tenham resultados.

“Todo o recurso público investido em medicação ineficaz significa recurso a menos para o que de fato funciona, que seriam as campanhas de comunicação para alertar a população e investimento na contratação de médicos para atender e orientar, de forma adequada, nas unidades básicas. Nós vivemos em uma cidade com desníveis sociais, com carência de profissionais da saúde e recursos, enquanto isso, a administração investe em algo absolutamente ineficaz”, finalizou o especialista.


Matéria publicada originalmente pelo Portal Amazonas1

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